
O projeto envolve duas organizações: a Associação Ad Astra, da Polónia, e a No Encalço de Ideias – Associação, de Portugal. Acreditamos que cada vez mais europeus se preocupam com as questões climáticas e, uma vez que a maioria dos adultos se encontra fora do sistema de educação formal, organizações como as nossas — fortemente enraizadas a nível local e que gozam da confiança das comunidades — têm um papel especial a desempenhar na educação, informação e mobilização dos cidadãos. Em suma, os artistas estão habituados a trabalhar com o público e, ao compreenderem melhor as alterações climáticas, podem tornar-se mais ativos e participativos na resposta a estes desafios.
O projeto foi construído com base num forte envolvimento pessoal e compromisso dos seus participantes. Ao longo dos workshops e atividades artísticas, os participantes trabalharam juntos de forma intensa, muitas vezes dedicando o seu tempo livre, noites e fins de semana, e em muitos casos até tirando dias de férias dos seus empregos regulares para poderem participar. Este nível de envolvimento criou um forte sentimento de responsabilidade partilhada, confiança e comunidade, aprofundando significativamente o processo de aprendizagem.
Em 2024, o primeiro ano de implementação do projeto, ambas as organizações parceiras vivenciaram diretamente as consequências das alterações climáticas e de catástrofes naturais. Os incêndios florestais em Portugal e a inundação em Nysa, na Polónia, forçaram uma nova perspetiva sobre as questões ambientais — mesmo entre aqueles que anteriormente se mostravam céticos em relação às políticas verdes europeias. Estes acontecimentos tornaram os desafios climáticos concretos e pessoais, levando a discussão para além de ideias abstratas e aproximando-a da experiência vivida. Cada vez mais participantes passaram a compreender a importância fundamental da proteção ambiental para a vida quotidiana, as comunidades locais e as gerações futuras.
Os participantes portugueses expressaram um profundo orgulho na sua pequena pátria, em particular nos belos vales do Douro, que não são apenas um local de vida e trabalho, mas também uma parte essencial da sua identidade cultural. Um apego igualmente forte ao território pode ser observado na organização polaca e no seu contexto local. Esta ligação emocional ao lugar tornou-se uma poderosa motivação para agir de forma responsável e sustentável.
O envolvimento do público durante os espetáculos confirmou ainda mais a relevância e a atualidade da mensagem do projeto. Os espectadores manifestaram abertamente a sua concordância com as ideias e valores do projeto, partilhando frequentemente reflexões semelhantes às dos participantes: o que podemos fazer — é apenas uma gota no oceano, mas o oceano é feito de gotas. O projeto sublinhou que mudanças significativas começam com pequenas escolhas quotidianas: utilizar garrafas de vidro em vez de plástico, optar pela comunicação digital em vez da impressão, reduzir o desperdício alimentar, recorrer a cadeias curtas de abastecimento — de preferência a produtores locais — e, acima de tudo, desenvolver a convicção de que cuidar do ambiente é uma responsabilidade partilhada. Temos apenas um planeta e devemos protegê-lo com todos os nossos esforços.
Estas reflexões influenciaram diretamente os domínios de atuação dos parceiros — as atividades artísticas e educativas. O projeto desafiou a crença comum de que uma cenografia bonita tem de ser dispendiosa ou de que o tamanho do orçamento define a qualidade de um projeto artístico. Pelo contrário, os participantes aprenderam, através da prática, que a criatividade, a responsabilidade e a colaboração podem conduzir a resultados artísticos fortes e significativos, utilizando materiais simples, reutilizados e disponíveis localmente.
Em conclusão, o projeto demonstrou que a sustentabilidade não é um conceito abstrato, mas um processo prático e quotidiano. Através do trabalho conjunto, da experimentação e da reflexão, os participantes desenvolveram competências, hábitos e atitudes concretas que podem ser aplicadas para além do próprio projeto. A experiência Green Arts tornou-se um percurso coletivo de aprendizagem, provando que trabalhar em conjunto — passo a passo, escolha a escolha — pode conduzir a mudanças reais e duradouras.


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