Há anos, durante outro projeto Erasmus+, conhecemos a Headway Arts, uma pequena associação do Reino Unido. O que realmente nos impressionou foi a sua forma de trabalhar: custos de produção muito baixos, eventos visualmente impactantes e um forte envolvimento da comunidade. Mais tarde, conhecemos a equipa portuguesa de Cabeceiras de Basto, que trabalha de uma forma muito semelhante. Foi então que percebemos que isto podia ser algo especial. Assim nasceu a ideia do projeto — muito antes de alguma vez termos candidatado a financiamento Erasmus+.

Ao longo do projeto, a responsabilidade ambiental nunca foi tratada como teoria ou como um conceito abstrato. Pelo contrário, tornou-se parte da nossa prática quotidiana. Utilizámos de forma consistente materiais reciclados e reaproveitados no nosso trabalho artístico, especialmente em figurinos, adereços, decorações e cenografia (o parceiro português ensinou-nos que quase todos os objetos podem ser reutilizados mais tarde como um elemento cénico único). Todos os materiais criados durante o projeto foram cuidadosamente preservados e reutilizados em sessões, espetáculos e atividades promocionais posteriores. Também nos concentrámos na redução de resíduos através de um planeamento consciente, da escolha de soluções de baixo consumo de recursos e da partilha de materiais — não apenas para poupar dinheiro, mas para aprender a produzir menos e a desperdiçar menos.

À medida que o projeto avançava, foi possível observar claramente um aumento da consciência ambiental tanto entre os participantes como entre os públicos. Isso manifestou-se em debates, sessões de feedback e reflexões sobre hábitos quotidianos, como o consumo de energia, o uso da água e a origem dos materiais.

No total, ao longo de quatro sessões, realizámos 40 workshops e 4 espetáculos — sim, foi uma espécie de maratona, mas valeu a pena.

O projeto foi construído com base num forte envolvimento pessoal e compromisso dos seus participantes. Durante os workshops e atividades artísticas, os participantes trabalharam intensamente em conjunto, muitas vezes dedicando o seu tempo livre, noites e fins de semana, e em muitos casos até tirando licença dos seus empregos regulares para poderem participar. Este nível de envolvimento criou um forte sentimento de responsabilidade partilhada, confiança e comunidade, e aprofundou significativamente o processo de aprendizagem.

Em 2024, o primeiro ano do projeto, ambas as organizações parceiras experienciaram diretamente as consequências das alterações climáticas e de desastres naturais. Os incêndios florestais em Portugal e a cheia em Nysa, na Polónia, impuseram uma perspetiva completamente nova sobre as questões ambientais — mesmo entre aqueles que anteriormente eram céticos em relação às políticas verdes europeias. Estes acontecimentos tornaram os desafios tangíveis e pessoais, levando a discussão para além de ideias abstratas e para a experiência vivida. Cada vez mais participantes passaram a compreender como a proteção ambiental é essencial para a vida quotidiana, as comunidades locais e as gerações futuras.

Os participantes de Portugal expressaram um profundo orgulho na sua pequena terra natal, especialmente nos belos vales do Douro, que não são apenas um local de vida e trabalho, mas também uma parte essencial da sua identidade cultural. O mesmo forte apego ao território pode ser observado na organização polaca e no seu contexto local. Esta ligação emocional ao espaço envolvente tornou-se uma poderosa motivação para agir de forma responsável e sustentável.

O envolvimento do público durante os espetáculos confirmou ainda mais a relevância da mensagem do projeto. Os espectadores expressaram abertamente a sua concordância com as ideias e valores do projeto, partilhando frequentemente reflexões semelhantes às dos participantes: o que podemos fazer — é apenas uma gota no oceano, mas o oceano é feito de gotas. O projeto enfatizou que a mudança significativa começa com pequenas escolhas do dia a dia: usar garrafas de vidro em vez de plástico, optar pela comunicação digital em vez da impressão, reduzir o desperdício alimentar, recorrer a cadeias de abastecimento curtas — de preferência de produtores locais — e, acima de tudo, desenvolver uma forte convicção de que cuidar do ambiente é uma responsabilidade partilhada. Temos apenas um planeta e devemos protegê-lo com todos os nossos esforços.

Estas reflexões influenciaram diretamente os campos em que os parceiros atuam — as atividades artísticas e educativas. O projeto desafiou a crença comum de que uma cenografia bonita tem de ser dispendiosa ou de que o tamanho do orçamento define a qualidade de um projeto artístico. Em vez disso, os participantes aprenderam, através da prática, que a criatividade, a responsabilidade e a colaboração podem conduzir a resultados artísticos poderosos utilizando materiais simples, reutilizados e disponíveis localmente.

Em conclusão, o projeto demonstrou que a sustentabilidade não é um conceito abstrato, mas um processo prático do dia a dia. Através do trabalho partilhado, da experimentação e da reflexão, os participantes desenvolveram competências, hábitos e atitudes concretas que podem ser aplicadas para além do próprio projeto. A experiência Green Arts tornou-se uma jornada coletiva de aprendizagem, provando que trabalhar em conjunto — passo a passo, escolha a escolha — pode conduzir a uma mudança real e duradoura.


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